Amigos da A Professora Tia Lilian

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A arte da imitação: escultura e pintura.

Escultura de bronze realizada por Weerstand Okke
em junho de 2010. Ela é apenas uma das muitas
que ainda serão feitas inspiradas nas
pinturas e desenhos de Vincent.
Esta foi a obra inspiradora, um dos últimos
autorretratos de Vincent,1889.
***
Desejo sucesso a Weerstand Okke e fico no aguardo
de suas belíssimas criações.
(aprofessoratialilian)

Amor é um fogo que arde sem se ver...

Fotografia de Vincent Willem van Gogh
***
.................................Soneto de Camões....................................
***
Amor é um fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.
***
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
***
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
***
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
***
Luís Vaz de Camões
(Pintado por François Gèrard)
Nasceu por volta de 1524 em Portugal e
morreu em Lisboa.
É frequentemente considerado o maior
poeta de Língua Portuguesa.
Das suas obras , a epopéia, "Os Lusíadas"
publicada em 1572 é considerada a
mais significativa.
Esta é a capa da 1ª edição dos "Lusíadas".
Obra composta de dez cantos com 1.102 estrofes.
Os planos temáticos da obra são:
* PLANO DA VIAGEM: descoberta do caminho
marítimo para as Índia de Vasco da Gama;
* PLANO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL: são relatos
de alguns episódios da história dos portugueses;
* PLANO DO POETA: Camões mostra-se poeta
admirador do povo e dos heróis portugueses;
*PLANO DA MITOLOGIA: são descritas as
influências e as intervenções dos deuses
da mitologia greco-romana na ação dos heróis.
A fé única no Deus cristão é defendida por
toda a obra.
El-Rei D.Sebastião, soberano, a quem
Camões dedicou "Os Lusíadas".


Um exemplar dos Lusíadas em chinês. Trabalho de
tradução que durou 6 anos, executado por Zhang Weimin.


Monumento ao poeta na praça Luís de Camões, no
Bairro Alto em Lisboa , Portugal.

Fly...

Flying bat , 1885
Van Gogh estava em Nuenen, The Netherlands, quando pintou
esta tela. Hoje ela encontra-se no Van Gogh Musem.
***
Poema " O morcego" de Augusto dos Anjos.
***
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego!E, agora, vede:
Na bruta ardência orgância da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
***
"Vou mandar levantar outra parede..."
_ Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
***
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
***
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
***
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
Nasceu em Sapé (Paríba) : 20/04/1884.
Morreu em Leopoldina: 12/11/1914.
Foi um poeta de um livro só ,"Eu".
Identificado como Simbolista ou Parnasiano e
considerado pelo poeta Ferreira Gullar como
pré-modernista. Era um homem nervoso,
misantropo e solitário. Gostava muito de leitura
e leu os principais escritores, cientistas e filósofos
de seu tempo. Formou-se em Direito. Lecionou
Português. Em 1912 publicou seu único livro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As estrelas de Van Gogh

Poema: Via Láctea (Fragmentos)
Poeta: Olavo Bilac
Noite estrelada - 1889
***
I
Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via
Que, aos raios do luar iluminada,
Entre as estrelas trêmulas subia
Uma infinita e cintilante escada.
***
E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada
Degrau, que o ouro mais límpido vestia,
Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada,
Ressoante de súplicas, feria...
***
Tu, mãe sagrada! vós também, formosas
Ilusões! sonhos meus! íeis por ela
Como um bando de sombras vaporosas.
***
E, ó meu amor! eu te buscava, quando
Vi que no alto surgias, calma e bela,
O olhar celeste para o meu baixando...
***
Noite estrelada sobre o Ródano - 1888
XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
***
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
***
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com ela? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
***
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
(aprofessoratialilian)
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac
Rio de Janeiro: 16/12/1865
Rio de Janeiro: 28/12/1918
Foi jornalista, poeta brasileiro e membro
fundador da Academia Brasileira de Letras
em 1896. Criou a cadeira de nº15, cujo
patrono é o poeta Gonçalves Dias.
E escreveu a letra do Hino à Bandeira.
Em 1907, foi eleito "Príncipe dos poetas
brasileiros", pela Revista Fon-Fon.
Bilac foi a maior liderança e expressão
do Parnasianismo no Brasil; juntamente
com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia
ficaram conhecidos como a Tríade Parnasiana.
A publicação de "Poesias" em 1888 rendeu-lhe
a consagração.

O amor na visão Vangoghiana.

Poema: "Se se morre de amor"(Fragmentos)
Gonçalves Dias Desenho, 1882
Se se morre de amor _ Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende(...)
Assomos de prazer nos raiam n"alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança! (...)
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; issso é delírio,
Devaneio; ilusão, que se esvaece(...)
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Desenho, 1886
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração _ abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d'extremos(...)
Compr'ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores, murmúrios solitários(...)
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!
Desenho, 1887
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d'ilusões floridas (...)
Compr'ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos (...)
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Desenho, 1890

Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas _ em puro céu d'êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;
Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?(...)
Dois corações, porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, _ se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!
Desenho, 1890

Esse que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, _ às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que a dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!
(aprofessoratialilian)

terça-feira, 30 de março de 2010

Memórias...

Vincent amava a pintura.
Ela foi sua grande companheira.
Dela tirou forças para escapar
de sua vida tão árida de "amor".
Em suas telas projetou seu amor,
que estava contido em seu ser,
pelo próximo, pelo passante,
pelo amigo e por quem quer
que seu olhar azul porcelana
vislumbrasse.
É esse homem que admiro.
E hoje quero lembrar-me um
pouco dele.
Descanse em paz Vincent...
Autorretrato,1889.

Natureza morta com caneca de cerveja e frutas
1881

Grupo de herdades com a Igreja nova em
The Hague, 1882
O semeador( Estudo), 1883
Congregação deixando a Igreja Reformada
em Nuenen, 1884


Os comedores de batata (Estudo), 1885
Um par de sapatos, 1886
Dois girassóis cortados, 1887
Two lovers (Fragment), 1888
Jardim do Hospital Saint-Paul,1889Rosas e besouro, 1890
Descanse em paz ...
Vincent.

terça-feira, 2 de março de 2010

Arte e Van Gogh: uma história de amor.

Van Gogh aos 23 anos (1876)
"... quero chegar ao ponto em que digam de minha obra:
este homem sente profundamente, e este homem sente
delicadamente. Apesar da minha suposta grosseria...
Ou precisamente por causa dela."
(Palavras de van Gogh em sua carta de nº 218)
***
É fácil dar opinião sobre sua arte.
Difícil é entendê-lo sem antes visitar suas obras,
conhecer sua história, ler suas cartas e trilhar
os caminhos árduos que ele percorreu.
Van Gogh foi apenas ele mesmo.
E isso era tudo que queria.
***
aprofessoratialilian